Ucrânia acusa SpaceX, de Elon Musk, de cortar Starlink para favorecer Rússia

Em imagem de arquivo, soldado ucrnaiano prepara sistema de internet por satélite da Starlink em sua posição na frente de batalha na cidade de Avdiivka, na Uc...

Ucrânia acusa SpaceX, de Elon Musk, de cortar Starlink para favorecer Rússia
Ucrânia acusa SpaceX, de Elon Musk, de cortar Starlink para favorecer Rússia (Foto: Reprodução)

Em imagem de arquivo, soldado ucrnaiano prepara sistema de internet por satélite da Starlink em sua posição na frente de batalha na cidade de Avdiivka, na Ucrânia, em fevereiro de 2024. Inna Varenytsia/ Reuters Em meio a tensões diplomáticas com os Estados Unidos, a Ucrânia acusou nesta quarta-feira (14) a SpaceX, de Elon Musk, de limitar os serviços da Starlink e prejudicar a operação de drones militares ucranianos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Desde que foi ativado na Ucrânia, nos primeiros dias da invasão russa em 2022, o Starlink tem sido vital para as comunicações ucranianas no campo de batalha. 👉 A suposta interrupção dos serviços ocorre em meio a uma onda de fortes ataques de mísseis russos a usinas de energia da Ucrânia, ignorando uma suposta trégua anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump (leia mais abaixo). Trump, aliado de Musk, também vem travando embates diplomáticos com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Autoridades militares ucranianas afirmaram que a SpaceX interrompeu sem aviso prévio o funcionamento de terminais Starlink de uso militar que se deslocavam em alta velocidade, impedindo, na prática, que Kiev os utilizasse como sistemas de orientação a bordo de drones. "Nossas forças de defesa não receberam aviso sobre essa limitação, o que levou à interrupção de várias missões", escreveu o assessor presidencial Serhiy Beskrestnov no Telegram. O serviço Starlink não funciona dentro da Rússia, e os drones ucranianos que atingem a indústria petrolífera russa utilizam outros meios de comunicação. No entanto, a Ucrânia emprega o sistema de Musk para guiar drones sobre o seu próprio território, incluindo áreas ocupadas pela Rússia. Uma fonte do Ministério da Defesa da Ucrânia disse que as limitações complicam significativamente a logística e algumas operações com drones. "De acordo com nossas observações, durante os voos, a conexão podia cair por 10 a 20 segundos a velocidades de apenas 110 a 120 km/h. Os drones continuavam em movimento, mas essas interrupções dificultavam o controle", afirmou à Reuters o 7º Corpo de Reação Rápida da Ucrânia, mobilizado no sudeste do país. A resistência do Starlink a interferências em sinais eletrônicos tornou-o uma ferramenta crucial para a operação de drones de ataque de longo alcance e de drones utilizados para lançar suprimentos às tropas na linha de frente. Fontes da agência de notícias Reuters afirmaram que os EUA ameaçaram cortar o fornecimento de informações de inteligência para alerta precoce de ataques com mísseis à Ucrânia, a fim de pressionar Kiev a suspender ataques a refinarias de petróleo russas. 👉 Musk é um aliado político próximo de Trump, e a possibilidade de que a SpaceX poderia limitar as capacidades ucranianas reforçou preocupações, em Kiev, de que Washington poderia reter apoio no campo de batalha. ➡️ A acusação ocorre em um momento em que a relação de Kiev com Washington sofre uma forte deterioração, desde que o presidente dos EUA, Trump, suspendeu abruptamente as sanções ao diesel russo na semana passada e se voltou publicamente contra o presidente dos EUA, Volodymyr Zelensky. Musk não havia respondido ou se posicionado sobre a acusação até a última atualização desta reportagem — no ano passado, o bilionário chamou o chanceler polonês de "homem pequeno". A SpaceX também ainda não havia se manifestado. A aparente interrupção provocou uma reação dura da Polônia, país que paga pelas assinaturas da Starlink utilizadas pela Ucrânia. "Ei, @elonmusk, grandalhão, você está fazendo política com seus produtos de novo?", perguntou o ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, a Musk no X. "Como seus clientes europeus, estamos de olho em você". Trump, sob pressão política para reduzir os preços dos combustíveis — que dispararam desde que ele iniciou uma guerra contra o Irã —, pediu a Kiev que interrompesse os ataques a refinarias russas e afirmou que os ucranianos deveriam realizar novas eleições para substituir Zelensky. O presidente dos EUA também anunciou que a Ucrânia e a Rússia haviam concordado em suspender ataques a alvos de energia; no entanto, nenhum dos lados confirmou a informação, e os últimos dois dias registraram intensos bombardeios russos, inclusive contra usinas de energia ucranianas. SpaceX, xAI, X, Starlink... entenda a relação entre empresas de Musk Ataque com mísseis Duas pessoas morreram e cerca de 600 mil moradores ficaram sem energia depois que mísseis russos atingiram usinas elétricas durante horas de ataques que visaram principalmente Kiev e Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, nesta quarta-feira (16). O Ministério da Defesa da Rússia confirmou ter atingido quatro usinas elétricas em Kiev e arredores e duas em Kharkiv, entre outros alvos. Zelensky afirmou que mais de 30 usinas elétricas foram danificadas. Autoridades informaram que 21 pessoas também ficaram feridas no local. Ataque 👉 Autoridades ucranianas disseram, no final da terça-feira, que não receberam avisos de parceiros ocidentais pelo segundo dia consecutivo antes dos ataques russos em massa à capital. Trump havia insistido, na terça-feira, que Washington continuava compartilhando informações de inteligência. Zelensky descreveu os ataques mais recentes como um desprezo deliberado à declaração de Trump sobre um cessar-fogo em alvos do setor energético. "A Rússia não considera fortes as declarações do presidente americano", escreveu Zelensky no X. "O ataque foi totalmente deliberado e de escala demonstrativa — a Rússia nunca antes havia demonstrado tamanho desrespeito ostensivo pelos Estados Unidos." Zelensky afirmou que a Ucrânia está disposta a respeitar uma trégua no setor energético e não tem atacado refinarias russas desde que Trump anunciou a proposta, mas não continuará se abstendo caso a Rússia ignore a suposta trégua. O Kremlin informou na terça-feira que as negociações sobre uma trégua energética continuavam em andamento. A Ucrânia relatou ter abatido apenas 4 de 39 mísseis russos, o que reflete o enfraquecimento das defesas aéreas de Kiev contra mísseis balísticos de alta velocidade e drones a jato, em meio à escassez de armamentos.

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